Há dias em que não há. Tudo fica parado ou tudo se mexe muito no que resulta em que não há. Fazer, olhar, perceber, tomar parte. Não há motivo, nem razão, seria muito esforço, muita fadiga, seria como ir pra rua lutar por nossos direitos, derrubar um governo, acabar com o imundo. Mas não há, muita pressão, muita coisa. Ou então não há, muita fraqueza, muita preguiça, sem determinação, bolacha recheada, guaraná, não há, simplesmente. Ou é agitação ou é passividade. Há ou não há? É como uma segunda com cara de segunda, uma terça com cara de terça, menos uma sexta, um sábado, talvez um domingo. Como quando acaba a luz ou há muita luz e uma música incessante ou só o carrinho de alvejante passando pela rua, informando a dona de casa que está passando pela rua o carrinho de alvejante. Dependendo do dia ou da hora, até do que está se fazendo, há e não há. Mas o que há e o que não há? Depende. Do dia ou da hora, até do que está se fazendo. Se não se faz nada, as vezes, há; o oposto também é verdadeiro. As horas passam muito depressa, já não se vê os filhos, as unhas crescem assim como o cabelo; as horas demoram, se arrastam feito caramujo, os filhos não param de perturbar, as unhas roídas e os cabelos caindo. Você acha o que: há ou não há?

Nelson_Ha-Ha

Hoje, agora, nesse momento, há, mas também não há. Há pois estou escrevendo, mas não há pois nisso não não há importância, são só palavras de alguém que queria um algo a mais para sair do conforto de não fazer nada durante algum tempo e fica inventando textos e palavras e linhas e conteúdos (falsos ou não, depende) para preencher algum vazio ou algum excesso. Pessoas passam pela minha frente, muitas hão e outras não, vão e voltam, hoje, depois de ir ao banheiro, amanhã, antes do almoço, daqui um, dois anos, vendendo sutiãs enquanto eu olho a vitrine. Enfim, isso não quer dizer nada, apenas repito o que as vozes na minha cabeça me dizem. Não sou um fanático, lunático, aristocrático, nem muito menos prático, dramático ou psicossomático, e isso não lhe diz respeito, nem quer dizer coisa alguma, nem sei qual o motivo de fazer estas referências, é que nesse momento há um conflito entre o há e o não há e acho que o há está ganhando. Mas daqui a pouco, ele perde. Eu vou ver só. Isso tudo merece uma comemoração ou um minuto de silêncio, se é que esse também não serve como comemoração à memória daqueles que merecem ser lembrados. Não quero dizer nada, mesmo que tenha muito a que falar. Mas é que não digo essas coisas pelos meus textos, prefiro dizê-las aos meus amigos, aos desconhecidos na fila do restaurante à quilo, ao meu tio que vejo duas vezes ao ano, ou então transformando essas palavras em ações, em momentos em que há e que não há.

Dar um ctrl+c, ctrl+v e repetir, até ter sentido – ou ficar assim mesmo, sem sentido, ressentido de não ter sentido: “Fazer, olhar, perceber, tomar parte.”.

E as vezes, nem dizer. Guardar pra mim – e até nem isso, é tanta sujeira, tanta besteira -, num depósito cerebral, pra quê um dia ou outro, antes tarde ou nunca mais, isso surja e eu possa repetir mentalmente.

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Minha atenção é dispersada
Pela coisa.

Me saboto com qualquer um,
Seja um estalar de dedos,
Seja uma dose de conhaque.

Acho que nunca mais vou escrever,
Nunca mais poesia,
Nunca mais viver:
Acham que isso é escrever?
Isto é pior que teimosia.

Já me interromperam dez vezes,
Isso daqui já não é o mesmo,
Mudanças de lugar, elevações e subtrações,
Pra quê tudo isso,
Por quê não me deixam?
Ao ler, onde está a emoção?
Ao ver, onde está o incômodo?
Ao deixar, onde está a satisfação pela saudade?
Ao ficar, onde está a esperança?

Nisso, sou um mínimo,
Sou um menor,
Não tenho culpas, nem desculpas
Mas invento culpas e crio desculpas,
Só para ter algo,
Só para dizer que não estou sozinho,
Um estranho.

Sou culpado por não ter culpas,
Por ser pacato demais,
Julgado por crimes que só cometo
Na minha cabeça.

Carrego nas mãos, em sacolas,
5 quilos de desculpas por 3 reais,
Promoção de fim de mês para alegrar
Os inimigos e a quadrilha.

Sei que tenho dez mãos
E cento e um dedos apontados
E mil bocas abertas
E dez mil olhos, todos indicando.

Minha culpa é simples: pensar.

Penso o mundo e só sinto
Tédio, tédio
Penso demais.

Acho que se for para a guerra,
virar morador de rua, passar fome,
perder a audição, comprar um carro,
branquear os dentes, ser amigo,
É que tudo vai ficar mais divertido,
Que vou sorrir para a vida,
Continuar até a morte.

Tenho diante mil mundos disponíveis
Como tomates numa gôndola
Mas o tédio por ter uma vida rotineira
Que as cercas impedem
Que eu invada fronteiras
É o pior de tudo.

Medo de deixar tudo
Largar tudo
Dar as costas para tudo que tenho
– Vontade e medo.
Esquecer de mim, de você,
De como se chama a rua da minha casa,
Os nomes dos amigos,
Esquecer tudo e não sequer ter vontade
De lembrar, de formar.

Tenho sabotado cada vez mais a mim mesmo
Achando que é verdadeiro
O que faço:
Tão sem ordem, sem cor, sem tristeza.
É tudo como o branco das paredes e
O sabor do cigarro
– Isso que nem fumo e minhas paredes
São amarelas, descascadas em formatos
De frutas exóticas e fétidas.

A quem quero enganar se até
Eu mesmo estou desconfiado
Que isso não é pra mim?

Há alguém que acredita em mim
E que não esteja rindo descaradamente
de minhas falhas tentativas falhas
Hahaha?

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Poesia do funcionário do mês

Da janela do
meu Windows
[MS Desktop, 1991/2017 ©
observo de perto
onde, bem longe,
eu queria estar…
= make a choice:
= where? /1 /2 /3

É mais longe
de onde minha imaginação
pode me levar:
eu daqui,
da janela do meu
quarto,
onde não vejo nada,
com as cortinas
fechadas
=deepweb.onion
=darkweb.onion
=fuckweb.garlic
para o s@l
/JAVA SCRIPT
/SUN ORACLE TECHNOLOGIES NETWORK
não me incomodar.

Observo
mil zeros e uns
00110001 00100000 00110001
00110000 00110000 00110000
</passarem pela
minha frente,
= did you see?
minhas retinas,
{jpg} {png} {pptx} vão de 1 a 1000 [exe] [txt] [pdf]
e não voltam,
seguem apressados,
assim como os
<html http://www.gigantepigmeu.wordpress.com
<title Conciso e coerente
<meta = o mundo
<meta = poesia boa
<meta = fazer você enlouquecer
neurônios, que
perco
tentando entender
suas funcionalidade,
suas capacidades;
assim como os
[command = choque]
impulsos elétricos
[command off = choque off]
que regem
minhas vontades,
me dando choques
<if 1 = 1, no 1 = 0,1000…
<if 2 + 2 = 5, all its ok!, ok?
por cada erro
que cometo,
um r@to de escritório.

E ao invés
de acariciar
este rato
%click the mouse to start
tão sem vida,
mais sem vida
que um rato morto
no asfalto opaco, raso,
acariciar um
hamster,
bonitinho hamster,
coisinha mini;
#littlehoney
#cutecute
#fofura
#vontadedemorder!
#mickeyzinho
#aiquelindo!
lhe dar de comer
brócolis,
ou também,
um porquinho da índia,
tal qual o poet@
tinha, aos 6 de idade,
“sua primeira namorada”.
;do you need a russian hot chick?
;click here and be the man!

Gostaria de
estar tocando piano,
um belo piano
caudaloso,
esplendoroso,
ao invés destas
teclas tão sem
[QWERTYUIOP]
graça,
tão sem melodia,
tão letárgicas;
pretas e brancas,
iguais,
que ditam uma
música uníssona
t@c-tac-tac
tac-tac-t@c.

Enquanto isso,
surgem mil pop-ups,
<Hi big guy, do you wanna enlarge your brain?
= Yes?
= No?
= See later?
= Spam?
uma por cima da outra,
mil abas,
[Open tab/Close tab
<UOL
<Steam
<Brazzers
<Wind Guru
<Pirate Bay
<ESPN
<Spotify
<Google
<Yahoo Mail
<G1
<Reddit
uma atropelando outra,
mil comandos,
<Give a order:
[Close?
[Open?
[Pass?
{Stay /y? /n?
um desmandando outro,
de trás deles,
surge o meu desejo:
fica a uns
mil quilômetros daqui,
no Caribe (N 21.46911° W 78.65689),
águas calmas,
tomando água de coco.

Areias fofas,
um coqueiro tombado,
a paixão ao meu lado,
nuvens brancas,
calor ameno.
“esqueça”,
(press ESC)
me grita uma
inconsciência
de menino.
“ao trabalho”,
[{(Microsoft Office 1991/2017 ©
grita o homem
assalariado,
em busca de uma
fortuna
imaginária.

E volto a mim:
“volte!”:
(CTRL+Z)
uma pura ficção,
dum wallpaper,
imóvel, estático;
ilusão que me coloca
num papel de bobo,
(->!Click here and be happy!
!Click here and won a big big big prize!
!15 secrets to be a great celebrity!<-)
me faz de tol@,
num mundo de virtualidades.

Mas venho aqui:
“venha!”:
(Shift+Home)
uma pura ilusão,
duma imagem chapada,
que só atiça,
um corpo imóvel,
morto, sedentário,
frente a um desejo
insaciável
por um parco salári@.

<Exit?:
<End?:
<Enjoy?:
</y?
</n?

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Depredação do patrimônio público

drumond_vale

(Foto: Marcelo Carnaval/Agência O Globo)

No meio do cachimbo tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do cachimbo
Tinha uma pedra
No meio do cachimbo tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas vistas tão fagulhadas
Nunca me esquecerei que no meio do cachimbo
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do cachimbo
No meio do cachimbo tinha uma pedra.

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doidera
toda essa sujeira
ainda bem que é besteira
que vem e vai e cai
indo pelo ralo
pro fundo do buraco raso
oco e fosco
torto e tosco
como é o poço
onde eu jogo todos
e assim fico sozinho
por cima da carne seca
sossego, sombra e água fresca
me traz um aperitivo, minha deusa?
e fico
só afugentando os urubus. as hienas
por puro ciume e egoismo
cinismo antes só visto
no festival de cinema de veneza
o maniaco obsessivo
virou menino prodigio
minha parte eu nao partilho
minha carne é meu charme
e espero que nunca acabe
porque assim vou ter tudo
e rir tão alto de tal absurdo
ensurdecerei todos
todos na palma da minha mao
ao alcance da visão
e se fugitivo fizer
eu venho, vejo e venço
e nem jogo no poço
[este sim, para todos
grito cala a boca, porra
e mando direto pro calabouço
[este sim, para tolos.
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todo mundo quer aparecer
eu tambem quero
ser capa da veja com

uma lata de cerveja
os pés em cima da mesa
tim maia no som cantando
que beleza
ir tomar café na padaria
enquanto eu olho a tv
e a ana maria me dá bom dia
e eu responder bom dia
e o chapeiro responder
dá um autografo pra minha filha?
mas é claro, simpatia
porque agora eu sou famoso
e as portas abriram-se para mim
ser buscado por uma limousine
e falar pro motorista
quando ve umas meninas
buzine, buzine, vamo pro crime
abrir uma garrafa de cristal
e pagar um pau sem igual
na frente da catedral
pros transeuntes pedrestres
que vao berrar pra mim
vai com tudo, cabra da peste!
ter o celular do neymar e falar
e ai: aquele churrasco do escracho
nao vai rolar?
ir pra lá, uma rima rimar, uma cerva tomar
e a passista da portela no meu colo
no molejo vir sambar
porque agora eu sou famoso
eu já falei isso
e cada vez que eu falo
fica mais gostoso
e vou aparecer naquele ex-gordo
ostentando pulseira de ouro
e ser o novo queridinho do brasil
da sua mae a sua vizinha
todas vao usar minha linha de calcinha
frases personalizadas e minha cara estampada
dai mesmo que eu nao vou precisar mais de nada
o catra vai ser meu vizinho
e vamos fazer a noite do canarinho
um monte de periquita na gaiola vai entrar
barril de 50 litros de energético
pra essa coisa toda nunca acabar
vou ter uma marca superprize
lacostemitsubichitashtolonike
no facebook, ser recordista de like
dando um beijo no cotovelo do tio eike!
sapato, gravata, chaveiro e terno
hoje eu sou moderno
toca meu funk ostentação na itapema
enquanto toco bongo na bunda
da garota de ipanema
mas que dilema!
pra terminar e só amar
mando um salve pros amigos
nao esqueci de voces
durmam tranquilos
amanha de manha
pego um voo em amsterdam
trazendo mais de 100 quilos
100 quilos de que?
99 de white widow
e um dvd de melhores momentos
da banheira do gugu com rodolfo e et
que é pra nós tudo se caga na frente
de 52 polegadas de lcd
aêêêêêê!
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baetbatebatebate
batebatebatebate
batebate
batebate
bate
bate

ah.
gozei.

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