Minha atenção é dispersada
Pela coisa.

Me saboto com qualquer um,
Seja um estalar de dedos,
Seja uma dose de conhaque.

Acho que nunca mais vou escrever,
Nunca mais poesia,
Nunca mais viver:
Acham que isso é escrever?
Isto é pior que teimosia.

Já me interromperam dez vezes,
Isso daqui já não é o mesmo,
Mudanças de lugar, elevações e subtrações,
Pra quê tudo isso,
Por quê não me deixam?
Ao ler, onde está a emoção?
Ao ver, onde está o incômodo?
Ao deixar, onde está a satisfação pela saudade?
Ao ficar, onde está a esperança?

Nisso, sou um mínimo,
Sou um menor,
Não tenho culpas, nem desculpas
Mas invento culpas e crio desculpas,
Só para ter algo,
Só para dizer que não estou sozinho,
Um estranho.

Sou culpado por não ter culpas,
Por ser pacato demais,
Julgado por crimes que só cometo
Na minha cabeça.

Carrego nas mãos, em sacolas,
5 quilos de desculpas por 3 reais,
Promoção de fim de mês para alegrar
Os inimigos e a quadrilha.

Sei que tenho dez mãos
E cento e um dedos apontados
E mil bocas abertas
E dez mil olhos, todos indicando.

Minha culpa é simples: pensar.

Penso o mundo e só sinto
Tédio, tédio
Penso demais.

Acho que se for para a guerra,
virar morador de rua, passar fome,
perder a audição, comprar um carro,
branquear os dentes, ser amigo,
É que tudo vai ficar mais divertido,
Que vou sorrir para a vida,
Continuar até a morte.

Tenho diante mil mundos disponíveis
Como tomates numa gôndola
Mas o tédio por ter uma vida rotineira
Que as cercas impedem
Que eu invada fronteiras
É o pior de tudo.

Medo de deixar tudo
Largar tudo
Dar as costas para tudo que tenho
– Vontade e medo.
Esquecer de mim, de você,
De como se chama a rua da minha casa,
Os nomes dos amigos,
Esquecer tudo e não sequer ter vontade
De lembrar, de formar.

Tenho sabotado cada vez mais a mim mesmo
Achando que é verdadeiro
O que faço:
Tão sem ordem, sem cor, sem tristeza.
É tudo como o branco das paredes e
O sabor do cigarro
– Isso que nem fumo e minhas paredes
São amarelas, descascadas em formatos
De frutas exóticas e fétidas.

A quem quero enganar se até
Eu mesmo estou desconfiado
Que isso não é pra mim?

Há alguém que acredita em mim
E que não esteja rindo descaradamente
de minhas falhas tentativas falhas
Hahaha?

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Sobre Gabriel

Eu apenas escrevo. Se é pra ler, dai é com você.
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